Vivemos cercados de pessoas e vazios de encontros.

Nunca foi tão fácil acessar o outro, e nunca foi tão difícil sustentá-lo. As relações modernas não fracassam por excesso de conflito, mas por falta de densidade. Tudo é raso demais para doer o suficiente e profundo demais para ser ignorado.

Relacionamo-nos como quem consome: experimenta, avalia, descarta. Pessoas viraram interfaces emocionais, úteis enquanto entregam prazer, validação, vantagem ou distração. Quando exigem tempo, presença ou responsabilidade afetiva , tornam-se incômodas. E o incômodo, hoje é tratado como defeito.

A superficialidade das relações não revela falta de sentimento, mas falta de coragem para sustentá-lo. Apressados em nos proteger, escolhemos vínculos leves, facilmente substituíveis , que não exigem presença nem responsabilidade. Permanecer, hoje, tornou-se um ato raro: exige atravessar o desencanto, reunir à lógica do consumo afetivo e aceitar que toda relação verdadeira é um processo de transformação mútua, lenta, imperfeita e inevitavelmente desconfortável.

Será que amar no mundo atual, seja simplesmente reaprender a ficar.

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